Objetivos
Determinar experimentalmente o valor da resistência de um resistor que obedece à lei de Ohm.
Introdução
A lei de Ohm afirma que a tensão em um resistor é diretamente proporcional à corrente que passa pelo mesmo. Isso siginifca que:
- A tensão varia linearmente com a corrente
- Ou seja, multiplicando-se por uma constante k a corrente, a tensão também fica multiplicada por k
- Aumentando-se a corrente de uma quantidade
, a tensão aumenta de R vezes esse valor, definindo-se como R a resistência elétrica, medida em Ohms (
).
Seja a resistência elétrica, a qual corresponde à constante de proporcionalidade da lei de Ohm. Tem-se, então:
- Essa lei é válida para resistores ditos lineares (o que é uma boa aproximação para dispositivos usados como resistores comerciais, em geral)
- Ela não é válida para dispositivos não-lineares (p. ex., lâmpadas incandescentes)
Resistores Lineares
Façamos uma verificação experimental da validade da lei de Ohm para resistores comerciais. Dado um certo resistor comercial, vamos submete-lo a uma série de valores crescentes de tensões e medir a corrente
resultante, para cada
e, com estes dados calculemos as resistências
em cada ponto.
Naturalmente, como há intervenção de flutuações estatísticas no experimento, espera-se que os sejam ligeiramente diferentes uns dos outros, como se pode verificar na tabela mostrada na figura 1.

Figura 1- Tensões em V, correntes em mA e resistências em
Fazendo-se um gráfico, pode-se apreciar o não alinhamento perfeito dos pontos, devido às flutuações de medida acrescidas de suas incertezas. Isto é, para cada ponto haverão incertezas
associadas aos dados. Isto é exibido graficamente construindo-se com o centro em cada ponto
suas barras de erro, que correspondem aos eixos de elipses de incerteza. Qualquer ponto contido dentro de uma elipse de incerteza é representativo de um dado experimental, pois corresponde a uma medida afetada de incerteza. A reta que melhor representa a dependência linear dos dados, passará por algum ponto de todas essas elipses.
Gostariamos, então, de encontrar um valor único de R que representasse o conjunto de valores , de modo a caracterizar a constante de proporcionalidade
da lei de Ohm. Este valor R que procuramos corresponderá ao coeficiente angular da reta melhor ajustada aos pontos experimentais, passando pela origem. Vamos determiná-lo aplicando-se o método de ajuste de mínimos quadrados, também denominado regressão linear de mínimos quadrados.
Consideremos, então, que cada ponto experimental afasta-se do ponto ideal
, produzindo um erro
. A figura 2 ilustra essa definição, mostrando à esquerda um detalhe retirado do gráfico à direita, em que são exibidos todos os pontos experimentais (elipses) e uma estimativa do que seriam os pontos ideais (círculos).

Figura 2 – À esquerda: detalhe do gráfico à direita.
Para cada ponto o erro será, então:
em que R representa o valor que desejamos encontrar. Esse valor é obtido calculando-se o erro total e determinando-se o valor de R que o torna mínimo. Suponhamos que a flutuação dos dados seja simétrica, isto é, sem nenhuma tendência ou vício. Assim sendo, a probabilidade de se errar por excesso é igual à de errar por falta. desta feita, usaremos como estimador do erro total a soma dos erros ao quadrado em cada ponto, evitando-se assim o cancelamento estatístico do erro total. Isto é o que se denomina erro total quadrático, que em nosso caso será:
Logo, o valor de R que procuramos é o argumento que minimiza , que é dado pelo ponto em que se anula a sua derivada em relação a R. Portanto:
Agora, devemos achar o valor de R para o qual a derivada calculada se anula:
Consequentemente,

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Março 31, 2008 às 12:27 am
Lei de Ohm versus resistência incremental « Videlicet
[...] na postagem anterior que a lei de Ohm afirma que a tensão em um resistor é diretamente proporcional à corrente que [...]
Abril 20, 2008 às 11:50 pm
Lei de Ohm versus resistência incremental - II « Videlicet
[...] método de regressão linear foi revisto em uma postagem anterior, em que buscamos obter a reta do tipo y = ax, sendo a = estimativa da resistência. Naquela [...]
Março 15, 2009 às 2:33 am
Lei de Ohm e resistores não-lineares « Videlicet
[...] Lei de Ohm [...]